Informação profissional para a indústria de plásticos portuguesa
A motan e a economia circular

Os plásticos são demasiado valiosos para serem desperdiçados

11/10/2019

O mundo de hoje – e a nossa atual prosperidade – não seriam possíveis sem o plástico… por variadíssimas razões. Estes materiais poliméricos são utilizados nas mais diversas aplicações: no fabrico de eletrodomésticos, automóveis e aeronaves, na eletrónica, na área da medicina e no setor da construção. As suas características de leveza e isolamento fazem com que sejam praticamente indispensáveis para os materiais de embalagem, contribuindo para a eficiência dos recursos ao permitirem reduzir o consumo de combustíveis fósseis e alargar o prazo dos alimentos, como explica este artigo da motan, representada em Portugal pela Plasequip.

Está claro, no entanto, que os resíduos de plástico se tornaram num problema global que nos afeta a todos e que tem de ser resolvido pela sociedade como um todo. Além disso, temos ainda o problema de uma procura cada vez maior de recursos que já são escassos: muitos são limitados e, à medida que a população global cresce, a sua procura também aumenta. É por esta razão que a economia circular é tão importante para a indústria de plásticos.

A economia circular é um modelo para a produção e para o consumo, no qual os materiais e produtos existentes são partilhados, alugados, reutilizados, reparados, reprocessados e reciclados pelo máximo de tempo possível. Esta abordagem aumenta o ciclo de vida dos produtos. Na prática, significa que os resíduos são reduzidos ao mínimo.

Depois de um produto atingir o fim do seu ciclo de vida, os recursos e os materiais utilizados no seu fabrico mantêm-se durante o máximo tempo possível na economia circular. Podem ser reutilizados produtivamente para continuarem a gerar valor acrescentado.

A economia circular é o oposto dos modelos de economias tradicionais e lineares, também conhecidas como economias de desperdício. Estes modelos baseiam-se em grandes quantidades de energia e materiais baratos e de fácil acesso, o que já não é o caso no mundo atual.

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Lidar mais economicamente com os recursos que possuímos é um dos maiores desafios do nosso tempo. Esta afirmação é particularmente verdadeira para as reservas cada vez mais diminutas de combustíveis fósseis. Portanto, uma economia circular funcional pode ser uma opção sensata e necessária para poupar e reduzir o consumo do valioso recurso ‚plástico‘. Também pode ajudar a ultrapassar a atual imagem negativa dos plásticos. Este último ponto não deve ser subestimado no debate frequentemente emotivo e aceso sobre os plásticos em geral e sobre os resíduos de plástico em particular.

 

Os plásticos possuem propriedades ideais para reciclagem. No entanto, um dos requisitos para uma economia circular funcional implica que todas as partes envolvidas na cadeia de abastecimento trabalhem em conjunto e comuniquem entre si. Na indústria dos plásticos (fabricantes de plásticos, processadores de plásticos e recicladores de plásticos), este requisito também se aplica aos seus clientes e distribuidores, que influenciam a conceção do produto e a possibilidade de utilizar material reciclado considerando os seus requisitos e especificações dos materiais.

 

Um outro requisito para uma economia circular eficiente implica uma gestão do fluxo de material adequada, com o objetivo de obter resíduos de plástico maioritariamente homogéneos. Quanto mais homogéneos forem, mais fácil será o seu reprocessamento. Neste contexto, um dos objetivos consiste em gerar a quantidade necessária para garantir o fornecimento com materiais reciclados. Os avanços no desenvolvimento de sistemas de separação de fluxos de materiais mistos a partir de sistemas de recolha geral ajudam na concretização deste objetivo. Além disso, hoje em dia quase não são produzidos resíduos de produção reais, uma vez que são novamente colocados no ciclo da produção ou passam por processadores especializados.

 

Como fabricante de produtos e sistemas para o manuseamento de materiais a granel (grânulos, remoagem, flocos e vários pós), a motan é parceira em três subáreas do plástico: fabrico de materiais virgens e materiais reciclados, assim como processamento de plásticos. Em conjunto com a configuração de sistemas circulares, a digitalização e a ligação em rede de processos de produção – geralmente referidos como Indústria 4.0 – também desempenham um papel importante na visão da motan. Os dados provenientes de sistemas de secagem, dosagem e mistura, e da cristalização, já foram disponibilizados e podem ser utilizados nos processos individuais. No futuro seguir-se-ão mais dados, como, por exemplo, a composição do material e o respetivo teor de humidade, dados de receitas, constantes de material e dados de produção provenientes da máquina de processamento. É importante não esquecer que as propriedades dos materiais reciclados podem mudar após processamentos repetidos. É aqui que o know-how da motan também entra em ação, por exemplo, na dosagem precisa de aditivos para a produção de regenerado.

 

O controlo de qualidade também necessitará de mais dados do processo do que anteriormente e irá associá-los às informações já adquiridas. Esta abordagem tornará necessária a adição de sensores no processamento, tanto nas máquinas como nas ferramentas de processamento. A rede digital de todos os sistemas é atualmente uma das tarefas mais importantes nas quais a motan está a trabalhar. O sucesso da economia circular dependerá da transparência, ou seja, um produto é composto exatamente de quê e qual será o seu destino. Já temos abordagens iniciais para rotular materiais e torná-los identificáveis. A motan está a desenvolver soluções para automatização do fluxo de informação do fluxo de material paralelo ao manuseamento de materiais, a fim de obter uma cadeia de informação constante e digitalizada dos bens no produto acabado.

 

Se os materiais reciclados forem homogéneos ou devidamente separados e preparados, não existem praticamente diferenças entres estes materiais e os materiais virgens. A importância da transparência em termos de origem e composição dos materiais pode ser demonstrada no exemplo seguinte: se um material numa mistura tiver de ser submetido a secagem, isso pode provocar uma evaporação descontrolada que, no pior dos cenários, pode destruir o dessecante. Se a composição do material for conhecida antes da secagem, é possível planear um processo de secagem adequado. Para isso é necessário o controlo de qualidade e a documentação do ciclo de reciclagem e do processador original.

 

Para uma economia circular bem-sucedida, todos têm de contribuir também no seu papel como consumidores. Isto significa separar e evitar quaisquer resíduos desnecessários, assim como aceitar e escolher produtos fabricados com materiais reciclados. É neste sentido que temos de trabalhar para informar e ensinar os outros e nós próprios.

 

Por último, é importante sermos realistas quanto às possibilidades e limitações da economia circular. Se não for possível reciclar facilmente ou devidamente os resíduos misturados ou contaminados, devemos reciclá-los quimicamente. Já existem alguns projetos promissores em fase embrionária que se debruçam sobre este aspeto. A recuperação energética, de preferência com recuperação energética eficiente, deve ser a etapa final da economia circular.

Empresas ou entidades relacionadas

Motan-Colortronic GmbH
Plasequip, Lda.

www.interplast.pt

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