O centro tecnológico Aimplas lançou o projeto Poly-ML, uma iniciativa de investigação que utiliza técnicas de aprendizagem automática para antecipar o comportamento de materiais plásticos ainda na fase de conceção. Segundo comunicado da entidade, a solução pretende tornar os processos industriais mais rápidos, eficientes e sustentáveis.
O Aimplas – Centro Tecnológico do Plástico – lançou o projeto Poly-ML, uma iniciativa de investigação e desenvolvimento que aplica técnicas avançadas de machine learning para prever as propriedades dos materiais plásticos a partir da sua composição e das condições de processamento.
O projeto tem como objetivo transformar o processo de design de materiais, permitindo otimizar formulações, reduzir a necessidade de ensaios experimentais e aumentar a eficiência das atividades de investigação e desenvolvimento (I&D).
De acordo com o Aimplas, os modelos preditivos em desenvolvimento serão capazes de antecipar propriedades mecânicas, térmicas e físicas dos materiais, possibilitando decisões mais rápidas e precisas nas fases iniciais de desenvolvimento. Esta abordagem baseada em dados deverá contribuir para a redução de custos, prazos e geração de resíduos, ao mesmo tempo que melhora a rastreabilidade e a sustentabilidade dos processos industriais.
O Poly-ML conta com financiamento do Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação (IVACE+i) e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). O projeto envolve ainda a participação da Tyris AI, especializada em inteligência artificial aplicada à indústria, e da Faperin, empresa transformadora de plásticos dedicada sobretudo à moldação por injeção de polipropileno para o setor automóvel.
No âmbito da parceria, a Faperin fornece dados industriais reais para treinar os modelos e apoiar a análise de resultados, enquanto a Tyris AI contribui com conhecimento técnico na aplicação de soluções de inteligência artificial ao contexto industrial.
Uma das vertentes centrais do projeto passa pelo desenvolvimento de uma ferramenta que permita criar modelos preditivos sem necessidade de conhecimentos de programação, facilitando a adoção da inteligência artificial pelas empresas do setor dos plásticos e promovendo a sua digitalização e competitividade.
Citado no comunicado, Joan Giner, investigador do Laboratório de Caracterização do Aimplas, afirma que o projeto representa “um passo importante para a aplicação real da inteligência artificial no design de materiais plásticos”, acrescentando que o objetivo passa por validar os modelos em ambientes industriais, garantindo a sua fiabilidade em condições operacionais reais.
Do ponto de vista ambiental, a utilização de modelos preditivos permitirá reduzir resíduos laboratoriais e diminuir o uso de solventes e aditivos potencialmente perigosos, evitando formulações ineficientes. Em termos de saúde ocupacional, prevê-se uma menor exposição dos técnicos a substâncias químicas e a riscos associados a testes experimentais.
Ao nível económico e territorial, a iniciativa pretende reforçar a competitividade do setor dos plásticos na Comunidade Valenciana, estimular a criação de emprego qualificado e promover maior autonomia tecnológica no desenvolvimento de novos materiais.
O projeto está alinhado com a estratégia regional RIS3-CV, especialmente nas áreas da digitalização, sustentabilidade, economia circular e colaboração entre indústria e investigação, contribuindo para consolidar a região como referência na aplicação da inteligência artificial ao desenvolvimento de materiais plásticos.
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