A igus apresentou na feira K, em Düsseldorf, uma nova geração de materiais isentos de PTFE e testados quanto à presença de PFAS, destinados a casquilhos deslizantes, sistemas lineares e aplicações de impressão 3D. Segundo a empresa, os novos compostos mantêm as características técnicas dos materiais tradicionais e podem reduzir as taxas de desgaste até 50%, respondendo simultaneamente às crescentes exigências ambientais e regulamentares do setor.
Os PFAS – e o PTFE, um subgrupo destes compostos – têm sido utilizados durante décadas numa ampla variedade de produtos, desde utensílios domésticos a componentes industriais. No setor dos plásticos técnicos, permitem, por exemplo, o funcionamento a seco de casquilhos deslizantes, dispensando lubrificação. No entanto, a sua lenta degradação no ambiente e potenciais impactos na saúde têm impulsionado o debate sobre uma possível regulamentação mais restritiva na União Europeia, gerando incerteza na indústria.
Perante este cenário, a igus afirma ter iniciado antecipadamente o desenvolvimento de alternativas. Na feira K dos plásticos, realizada em Düsseldorf entre 8 e 15 de outubro, a empresa apresentou materiais isentos de PTFE, demonstrando que a transição pode ser realizada sem comprometer o desempenho técnico – e até com melhorias em determinadas aplicações.
A empresa desenvolve componentes para movimento – como casquilhos deslizantes, rodas dentadas e sistemas lineares – produzidos em plásticos de elevado desempenho que asseguram resistência ao desgaste, produtos químicos e intempéries, bem como funcionamento com baixo atrito e sem lubrificação adicional. Tradicionalmente, estas propriedades eram obtidas com recurso a aditivos que incluíam PFAS.
Segundo Lars Butenschön, diretor da unidade de negócio de casquilhos deslizantes iglidur da igus, muitos engenheiros procuram atualmente alternativas que preservem a funcionalidade e mantenham a competitividade económica. Nos últimos anos, a empresa intensificou a investigação para desenvolver materiais sem PTFE compatíveis com diferentes processos de fabrico, incluindo moldação por injeção, impressão 3D e produção de varões e placas iglidur para maquinação.
De acordo com a empresa, já estão disponíveis 27 materiais isentos de PTFE e testados quanto à presença de PFAS, aplicados em diversos motion plastics, desde calhas articuladas a rolamentos, casquilhos deslizantes e materiais para fabrico aditivo. Os testes realizados no laboratório interno de ensaios, com 5.500 m², indicam que as especificações técnicas originais foram mantidas apesar da alteração da composição.
A igus disponibiliza atualmente versões sem PTFE dos casquilhos deslizantes em polímero das séries iglidur J, W, G, X e H, utilizadas em máquinas e veículos de vários setores industriais. Segundo a empresa, cerca de 75% das aplicações de casquilhos deslizantes já podem ser realizadas sem PTFE desde 2025.
Os materiais foram igualmente testados relativamente a 96 PFAS considerados potencialmente nocivos para o ambiente e para a saúde, não apresentando concentrações superiores a 0,1% em peso dessas substâncias.
Durante a feira K, a empresa apresentou ainda novos produtos isentos de PTFE, incluindo rolamentos de esferas, coroas rotativas, rodas dentadas, guias lineares, cabos e uma nova resina para impressão 3D. A igus admite que o aumento da procura poderá permitir economias de escala e reduzir a atual diferença de preço face às soluções convencionais.
Ensaios realizados pela empresa indicam que os materiais iglidur com substituição do PTFE apresentam melhorias no comportamento de atrito e desgaste, alcançando reduções até 50% nas taxas de desgaste em comparação com materiais de referência contendo PTFE.
Segundo a igus, a reformulação das composições preserva propriedades essenciais como estabilidade térmica, resistência mecânica e comportamento de contração. Para acelerar o desenvolvimento, a empresa está a ampliar o laboratório dedicado a casquilhos e sistemas lineares, prevendo triplicar a área para cerca de 1.500 m².
A combinação de laboratório de testes, centro técnico interno e investigação contínua permitirá à empresa disponibilizar soluções alinhadas com futuras exigências legais, simultaneamente mais sustentáveis e tecnicamente competitivas.
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