O projeto europeu Redysign está a investigar novas soluções para melhorar a sustentabilidade das embalagens alimentares, através do desenvolvimento de materiais recicláveis, adesivos e revestimentos de base biológica, bem como de tecnologias de identificação que facilitem a reciclagem. Estas inovações visam reduzir a dependência de plásticos de origem fóssil e promover sistemas de embalagem mais circulares, em particular em aplicações exigentes como a embalagem de carne fresca.
É neste contexto que surge o projeto europeu Redysign, uma iniciativa financiada pelo programa Horizon Europe que reúne centros de investigação, universidades e empresas com o objetivo de redesenhar os sistemas de embalagem alimentar numa perspetiva de economia circular.
O projeto é coordenado pelo VTT Technical Research Centre of Finland e conta com a participação de centros tecnológicos e de investigação como a Tecnalia, os RISE Research Institutes of Sweden e o Fraunhofer Institute for Process Engineering and Packaging IVV, bem como de universidades como a Lund University e a Aalto University.
O consórcio integra ainda empresas e organizações de diferentes pontos da cadeia de valor da embalagem e da alimentação, entre as quais a PackBenefit SL, a MetGen Oy, a McAirlaid’s, a Holoss – Holistic and Ontological Solutions for Sustainability, a Fábrica Nacional de Moneda y Timbre – Real Casa de la Moneda, a Fenix TNT e a Zabala Innovation, bem como operadores do setor alimentar e da distribuição, como a Atria e a Eroski.
Em conjunto, os parceiros desenvolvem novos materiais e tecnologias que permitam criar embalagens recicláveis desde a conceção, assegurando simultaneamente as características exigidas por aplicações como o acondicionamento de carne fresca.
Os adesivos habitualmente utilizados em embalagens alimentares têm, em grande parte, origem fóssil. Apesar do seu bom desempenho técnico, levantam desafios ambientais relacionados com a pegada de carbono e a dependência de recursos não renováveis.
Para responder a este desafio, investigadores do VTT estão a desenvolver adesivos a partir de matérias-primas de origem biológica. Mais concretamente, a equipa desenvolveu formulações à base de açúcares derivados da madeira, nomeadamente xilose e glicose. Estas formulações utilizam ácido cítrico como agente de reticulação e evitam o recurso a catalisadores adicionais, com o objetivo de minimizar a presença de substâncias potencialmente problemáticas em materiais destinados ao contacto com alimentos.
Os adesivos foram avaliados através de vários ensaios laboratoriais, com o objetivo de analisar a resistência da selagem e o comportamento face à humidade em diferentes materiais, como cartão ou estruturas combinadas de cartão e película. Os resultados indicam que algumas das formulações apresentam um desempenho promissor para aplicações em embalagens alimentares.
No caso da carne fresca, as embalagens devem assegurar proteção contra o oxigénio, a humidade e a gordura, de forma a preservar a qualidade do produto durante o seu prazo de validade. Estas propriedades são geralmente obtidas através de estruturas multicamada que combinam cartão com camadas plásticas, o que dificulta a reciclagem.
Para ultrapassar este desafio, o projeto Redysign está a desenvolver revestimentos à base de biopolímeros que podem ser aplicados sobre suportes de cartão através de diferentes técnicas. O objetivo é melhorar as propriedades de barreira do material fibroso sem comprometer a sua reciclabilidade.
As primeiras avaliações experimentais incidem sobre a resistência destes revestimentos à humidade e às gorduras, dois fatores críticos em aplicações como a embalagem de carne fresca. O desenvolvimento destas soluções poderá viabilizar embalagens à base de fibras com características funcionais comparáveis às dos materiais multicamada convencionais, mas com menor dependência de plásticos de origem fóssil.
Um dos principais desafios na reciclagem de embalagens fibrosas provenientes do setor alimentar é a presença de resíduos de alimentos, gorduras ou outros contaminantes, que dificultam a sua correta triagem nas instalações de tratamento.
Para responder a este problema, os investigadores estão a desenvolver sistemas de identificação baseados em marcadores específicos integrados nos diferentes componentes da embalagem, como a bandeja, o material absorvente ou a película de selagem. Esta abordagem permite melhorar a rastreabilidade e facilitar a identificação nos processos de triagem automática.
No âmbito do projeto, foram desenvolvidos sistemas de deteção que combinam tecnologias espectroscópicas e de visão artificial, como Raman, NIR e análise de imagem RGB. Estas ferramentas permitem detetar tanto os marcadores incorporados na embalagem como a presença de contaminantes orgânicos – como sangue, óleos ou gorduras – em resíduos provenientes do acondicionamento de carne.
A combinação de sensores espectroscópicos com sistemas de visão artificial permitiu ainda desenvolver modelos preditivos capazes de correlacionar informação visual com a composição química dos materiais, o que poderá melhorar a identificação de superfícies contaminadas e aumentar a precisão dos processos de triagem.
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