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Projeto financiado pelo Compete 2030 aposta em nova solução tecnológica para resíduos contaminados do setor da saúde

CirPol desenvolve processo inovador para transformar resíduos hospitalares poliméricos em materiais reutilizáveis

07/04/2026

O projeto CirPol, liderado pela Oprimee e apoiado pelo Compete 2030, está a desenvolver em Portugal um novo processo para tratar e valorizar resíduos poliméricos hospitalares contaminados, convertendo-os em produtos reutilizáveis e promovendo a economia circular no setor da saúde.

A iniciativa pretende evitar a incineração e deposição em aterro, através da criação de materiais reciclados de elevada qualidade, cuja eficácia e segurança serão validadas por protótipos tecnológicos.

O CirPol propõe uma solução ainda inexistente no mercado para o tratamento, conversão e valorização de resíduos poliméricos contaminados e de difícil circularidade, com especial incidência nos resíduos hospitalares. O projeto aposta em processos de despolimerização e repolimerização, permitindo a valorização integral destes materiais e a recuperação de compostos farmacêuticos.

A iniciativa é liderada pela Oprimee, contando com o suporte científico e tecnológico da Universidade do Minho e da Universidade do Porto.

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Inovação tecnológica com ambição internacional

O CirPol apresenta várias características consideradas disruptivas a nível internacional. A solução desenvolvida elimina a necessidade de separação prévia dos resíduos poliméricos e permite resolver o problema da contaminação biológica, podendo atingir taxas de circularidade até 95% em massa.

A tecnologia prevê ainda o tratamento da fração líquida existente nos resíduos, a pré-trituração mesmo na presença de metais de elevada dureza e a conversão dos materiais numa fração líquida valorizável. Esta poderá ser transformada em produtos intermédios reciclados, reintegráveis na atividade económica de forma segura para a saúde pública e para o ambiente.

Os resíduos-alvo incluem materiais celulósicos, como batas e compressas potencialmente contaminadas, e polímeros sintéticos, como seringas, frascos de soro e tubos de administração de medicamentos. Os produtos resultantes destinam-se à indústria química, enquanto “bulk chemicals”, e à indústria dos materiais, incluindo aplicações com potencial uso hospitalar.

Economia circular como oportunidade estratégica

De acordo com João Nunes, fundador e CEO da Oprimee, as orientações europeias estão a pressionar o mercado a encontrar alternativas ao aterro e à incineração, incentivando modelos de gestão circular dos resíduos. O responsável defende uma evolução progressiva rumo à circularidade máxima, reconhecendo que a total circularidade não é alcançável de imediato.

O responsável sublinha ainda que Portugal apresenta uma taxa de circularidade de 2,8%, abaixo da média europeia superior a 12%, considerando a economia circular uma oportunidade estratégica para criar valor económico, novas indústrias e maior independência de recursos.

Financiamento acelera validação tecnológica

O apoio do Compete 2030 permitiu acelerar o desenvolvimento do projeto, possibilitando a transição do conhecimento prévio para um demonstrador tecnológico com nível de maturidade entre TRL 6 e 7. O sistema em desenvolvimento terá capacidade para tratar até 10 quilogramas por hora de resíduos hospitalares contaminados, validando a tecnologia numa fase prévia à entrada no mercado.

Segundo João Nunes, este financiamento assume um papel essencial na validação e escalabilidade de soluções tecnológicas de elevado risco, contribuindo para reforçar a competitividade económica e a capacidade de inovação nacional.

Um fluxo de resíduos particularmente exigente

Os resíduos hospitalares representam um dos maiores desafios em termos de circularidade devido à sua natureza contaminada e aos rigorosos requisitos regulamentares. Nos países desenvolvidos, a produção pode atingir quase 11 quilogramas de resíduos perigosos por cama hospitalar por dia, enquanto nos países em desenvolvimento os valores podem chegar aos seis quilogramas.

Durante a pandemia, cerca de 87,4% dos resíduos plásticos adicionais tiveram origem em instituições de saúde, incluindo equipamentos de proteção individual como máscaras, luvas e viseiras.

Atualmente, os principais métodos de tratamento passam por processos à base de vapor ou peróxido de hidrogénio, deposição em aterro ou incineração direta. Segundo o projeto, estas soluções contribuem para a perda de recursos materiais e dificultam o cumprimento das metas europeias de descarbonização e independência de recursos.

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