O projeto CirPol, liderado pela Oprimee e apoiado pelo Compete 2030, está a desenvolver em Portugal um novo processo para tratar e valorizar resíduos poliméricos hospitalares contaminados, convertendo-os em produtos reutilizáveis e promovendo a economia circular no setor da saúde.
O CirPol propõe uma solução ainda inexistente no mercado para o tratamento, conversão e valorização de resíduos poliméricos contaminados e de difícil circularidade, com especial incidência nos resíduos hospitalares. O projeto aposta em processos de despolimerização e repolimerização, permitindo a valorização integral destes materiais e a recuperação de compostos farmacêuticos.
A iniciativa é liderada pela Oprimee, contando com o suporte científico e tecnológico da Universidade do Minho e da Universidade do Porto.
A tecnologia prevê ainda o tratamento da fração líquida existente nos resíduos, a pré-trituração mesmo na presença de metais de elevada dureza e a conversão dos materiais numa fração líquida valorizável. Esta poderá ser transformada em produtos intermédios reciclados, reintegráveis na atividade económica de forma segura para a saúde pública e para o ambiente.
Os resíduos-alvo incluem materiais celulósicos, como batas e compressas potencialmente contaminadas, e polímeros sintéticos, como seringas, frascos de soro e tubos de administração de medicamentos. Os produtos resultantes destinam-se à indústria química, enquanto “bulk chemicals”, e à indústria dos materiais, incluindo aplicações com potencial uso hospitalar.
O responsável sublinha ainda que Portugal apresenta uma taxa de circularidade de 2,8%, abaixo da média europeia superior a 12%, considerando a economia circular uma oportunidade estratégica para criar valor económico, novas indústrias e maior independência de recursos.
Segundo João Nunes, este financiamento assume um papel essencial na validação e escalabilidade de soluções tecnológicas de elevado risco, contribuindo para reforçar a competitividade económica e a capacidade de inovação nacional.
Durante a pandemia, cerca de 87,4% dos resíduos plásticos adicionais tiveram origem em instituições de saúde, incluindo equipamentos de proteção individual como máscaras, luvas e viseiras.
Atualmente, os principais métodos de tratamento passam por processos à base de vapor ou peróxido de hidrogénio, deposição em aterro ou incineração direta. Segundo o projeto, estas soluções contribuem para a perda de recursos materiais e dificultam o cumprimento das metas europeias de descarbonização e independência de recursos.
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