A indústria dos plásticos atravessa um momento decisivo na Europa. A convicção é de Alicia Martín, diretora-geral da Plastics Europe para a região ibérica, que defende uma transformação profunda na forma como o plástico é concebido, utilizado e integrado na economia, com vista a garantir a sustentabilidade futura do setor.
Num contexto marcado pela pressão regulatória, pelas metas climáticas europeias e por uma crescente exigência social, a responsável considera que a indústria terá de ir além de melhorias incrementais e avançar para uma revisão estrutural de todo o ciclo de vida dos materiais.
Segundo Alicia Martín, o principal desafio não é apenas tecnológico, mas sobretudo conceptual. “Repensar o plástico” significa reconsiderar o papel deste material na sociedade, apostando em soluções desenvolvidas com princípios de circularidade desde a fase de conceção.
Nesse sentido, a responsável sublinha a importância do ecodesign, da incorporação de matérias-primas sustentáveis e da criação de sistemas eficientes de recolha, triagem e reciclagem.
A Plastics Europe defende uma abordagem sistémica, envolvendo indústria, associações, decisores políticos e consumidores. A circularidade, sustenta Alicia Martín, “não pode depender exclusivamente dos produtores”, exigindo antes uma coordenação global capaz de fechar efetivamente o ciclo dos materiais.
Outro dos aspetos destacados pela diretora-geral prende-se com a necessidade de compatibilizar sustentabilidade e competitividade industrial. Embora a Europa procure liderar a transição para uma economia circular dos plásticos, será necessário assegurar condições que permitam à indústria europeia manter-se competitiva face a outros mercados internacionais.
Para isso, Alicia Martín considera “essencial um enquadramento regulatório estável, suportado por evidência científica e baseado no princípio da neutralidade tecnológica”. O acesso a energia renovável a custos competitivos e o reforço do investimento em inovação são igualmente apontados como fatores críticos, sobretudo em áreas como a reciclagem avançada e o desenvolvimento de novas matérias-primas.
O objetivo passa por criar um modelo em que os plásticos sejam maioritariamente circulares, reduzindo o impacto ambiental sem comprometer a funcionalidade em setores estratégicos como alimentação, mobilidade, construção ou saúde.
A transformação do setor dependerá também da capacidade de acelerar a inovação tecnológica. Da reciclagem química à digitalização dos processos industriais, as novas tecnologias deverão desempenhar um papel decisivo na redução das emissões e na melhoria da eficiência na utilização de recursos.
Ainda assim, Alicia Martín alerta que” a inovação só produzirá resultados efetivos se for acompanhada por políticas públicas coerentes e por uma colaboração estreita entre os diferentes intervenientes da cadeia de valor. A cooperação entre setor público e privado será determinante para desbloquear investimento e acelerar a mudança de paradigma”.
Para além dos aspetos técnicos e regulamentares, a responsável considera igualmente necessário alterar a perceção pública sobre o plástico. “Apesar das críticas de que tem sido alvo nos últimos anos, o material continua a ser indispensável em inúmeras aplicações industriais e do quotidiano”, sublinha.
O desafio, conclui, não passa por eliminar o plástico, mas por utilizá-lo de forma mais eficiente e responsável: “concebê-lo para reutilização ou reciclagem, integrá-lo em sistemas circulares e minimizar o respetivo impacto ambiental”.
A visão defendida pela Plastics Europe aponta, assim, para uma transformação estrutural do setor, conciliando inovação, sustentabilidade e competitividade industrial num contexto europeu cada vez mais exigente.
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