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Eficiência energética, estabilidade térmica e sustentabilidade impulsionam evolução dos sistemas de refrigeração

Refrigeração industrial ganha novo peso na transformação de plásticos

25/05/2026
Num setor onde segundos podem determinar a rentabilidade de uma linha de produção, os sistemas de refrigeração deixaram há muito de ser apenas equipamentos auxiliares. Na transformação de plásticos, o controlo térmico tornou-se um elemento crítico para garantir estabilidade dimensional, repetibilidade do processo, qualidade superficial e eficiência energética.

Injeção, extrusão, sopro, termoformagem ou processamento de PET dependem diretamente da capacidade de remover calor de forma rápida, estável e controlada. À medida que aumentam as exigências de produtividade e sustentabilidade, os sistemas de refrigeração evoluem para soluções mais inteligentes, energeticamente eficientes e adaptadas às novas condições industriais.

A tendência é particularmente visível numa altura em que os transformadores enfrentam simultaneamente custos energéticos elevados, maior pressão ambiental e requisitos de qualidade cada vez mais exigentes.

Uma refrigeração inadequada pode provocar deformações, tensões internas, retrações irregulares, marcas superficiais e defeitos dimensionais...
Uma refrigeração inadequada pode provocar deformações, tensões internas, retrações irregulares, marcas superficiais e defeitos dimensionais.

O papel da refrigeração na qualidade do produto

O arrefecimento é uma das fases mais críticas do processamento de plásticos. Após conformação, o polímero necessita de estabilizar termicamente para garantir propriedades mecânicas, tolerâncias dimensionais e acabamento superficial adequados.

Segundo a Atlas Copco, uma refrigeração inadequada pode provocar deformações, tensões internas, retrações irregulares, marcas superficiais e defeitos dimensionais. Em aplicações técnicas — como embalagem alimentar, componentes médicos ou peças automóveis — pequenas variações térmicas podem traduzir-se em rejeições de produção e perdas significativas.

Nos processos de injeção, o controlo preciso da temperatura do molde influencia diretamente os tempos de ciclo e a repetibilidade das peças. Já na extrusão e termoformagem, a estabilidade térmica é essencial para preservar espessuras, transparência e desempenho mecânico.

Além da qualidade, a refrigeração condiciona também a produtividade. Ciclos mais curtos significam maior ‘throughput’, menor consumo energético por peça produzida e melhor utilização da capacidade instalada.

Chillers continuam no centro dos sistemas industriais

Entre as soluções mais utilizadas continuam a destacar-se os chillers industriais, disponíveis em versões arrefecidas a ar, água ou híbridas.

Os sistemas de arrefecimento por água permanecem particularmente relevantes em aplicações de elevada carga térmica. Utilizam água e refrigerante para absorver calor do processo, permitindo elevada capacidade de refrigeração e boa eficiência energética em operações contínuas.

Por outro lado, os chillers arrefecidos a ar continuam a ser valorizados pela simplicidade de instalação, menor necessidade de infraestrutura hidráulica e manutenção relativamente reduzida.

Mais recentemente, os sistemas híbridos começam a ganhar espaço, sobretudo em instalações que procuram equilíbrio entre desempenho, eficiência energética e redução de consumo hídrico. Estas soluções combinam princípios de refrigeração a ar e água, utilizando evaporação controlada para reforçar a dissipação térmica quando necessário.

A Frigel é especialista em sistemas de arrefecimento adiabático...
A Frigel é especialista em sistemas de arrefecimento adiabático. Na imagem, as soluções que a empresa vai levar à feira Interplas, no Reino Unido, com destaque para a nova gama de sistemas de controlo térmico de moldes Dynamico.

Arrefecimento adiabático cresce como alternativa sustentável

Uma das tecnologias que mais tem evoluído nos últimos anos é o arrefecimento adiabático.

Tradicionalmente visto como uma solução de nicho, o sistema ganhou relevância devido às crescentes preocupações relacionadas com consumo de água, custos energéticos e sustentabilidade industrial.

O princípio é relativamente simples: a evaporação da água reduz a temperatura do ar antes deste atravessar os permutadores térmicos. Ao contrário das torres evaporativas convencionais, os sistemas adiabáticos utilizam água apenas quando necessário e mantêm o circuito de processo fechado, reduzindo riscos de contaminação e perdas hídricas.

Segundo Eric Thompson, da Frigel North America, os sistemas modernos conseguem reduzir até 90% do consumo de água comparativamente a soluções tradicionais, mantendo simultaneamente estabilidade térmica e menor necessidade de manutenção.

Os equipamentos operam normalmente em dois modos:

  • 'dry mode', utilizando apenas ar ambiente;
  • 'adiabatic mode', ativando pulverização controlada sobre painéis evaporativos quando a temperatura ambiente aumenta.

Esta flexibilidade permite adaptar o funcionamento às condições climáticas e à carga térmica real da produção.

Sistemas fechados reduzem contaminação e manutenção

Outro fator que impulsiona a adoção de sistemas adiabáticos e circuitos fechados prende-se com a fiabilidade operacional.

A presença de algas, incrustações, partículas e contaminações em circuitos de refrigeração continua a ser uma das principais causas de degradação térmica e falhas prematuras em moldes, chillers e unidades de controlo de temperatura.

Ao manter o circuito isolado do ambiente exterior, os sistemas fechados reduzem significativamente a formação de depósitos e a necessidade de tratamentos químicos.

Na prática, isto traduz-se em maior estabilidade térmica, menor degradação de equipamentos, redução de paragens não programadas, e aumento da vida útil dos moldes e permutadores.

A Frigel destaca ainda que a estabilidade térmica obtida com sistemas adiabáticos permite reduzir a taxa de rejeitados, melhorar tempos de ciclo e aumentar uptime, especialmente em processos exigentes como a injeção e extrusão-sopro de PET, a injeção de elevada cadência e a extrusão contínua.

No processamento de PET, a qualidade do produto final depende diretamente da capacidade de remover calor de forma rápida, estável e controlada...
No processamento de PET, a qualidade do produto final depende diretamente da capacidade de remover calor de forma rápida, estável e controlada.

Eficiência energética torna-se prioridade

O peso energético dos sistemas de refrigeração é outro dos fatores que está a acelerar a modernização tecnológica.

Muitas fábricas continuam a operar sistemas sobredimensionados ou equipamentos incapazes de ajustar dinamicamente a capacidade de refrigeração às necessidades reais da produção. Segundo a Atlas Copco, isto conduz frequentemente a desperdícios energéticos significativos e custos operacionais elevados.

As novas gerações de chillers incorporam:

  • compressores de velocidade variável;
  • controlo inteligente de caudal;
  • adaptação automática à carga térmica;
  • monitorização digital em tempo real.

Estas funcionalidades permitem reduzir consumo elétrico sem comprometer estabilidade térmica.

Ao mesmo tempo, começam a ganhar importância estratégias de free cooling, que utilizam condições ambientais favoráveis para dissipar calor sem recurso intensivo a compressores frigoríficos.

Soluções deste tipo tornam-se particularmente atrativas em regiões de clima moderado ou em instalações com funcionamento contínuo.

Digitalização e manutenção preditiva 

A digitalização dos sistemas de refrigeração está igualmente a transformar a forma como as fábricas gerem os seus processos térmicos.

Os novos sistemas incorporam sensores, monitorização remota e ferramentas de diagnóstico capazes de antecipar anomalias antes que ocorram falhas críticas.

Esta evolução é particularmente relevante numa indústria onde as falhas de refrigeração podem provocar paragens totais das linhas, congelamento de extrusoras, defeitos de enchimento, deformações de peças, e aumento abrupto de rejeitados.

Além da manutenção preditiva, os sistemas inteligentes permitem integrar a refrigeração na lógica global de gestão energética da fábrica, ajustando automaticamente capacidades e consumos em função da produção efetiva.

Refrigerantes e pegada ambiental sob pressão

As preocupações ambientais estão também a acelerar mudanças no setor da refrigeração industrial.

A utilização de refrigerantes de baixo GWP (Global Warming Potential), redução do consumo hídrico e melhoria da eficiência energética tornaram-se fatores centrais nas decisões de investimento.

Em muitos mercados, os sistemas de refrigeração começam igualmente a ser avaliados no âmbito de estratégias ESG e certificações ambientais como ISO 14001.

Segundo a Atlas Copco, a escolha do sistema já não pode basear-se apenas no CAPEX inicial. O custo total de propriedade (TCO), incluindo energia, manutenção, disponibilidade de peças e impacto ambiental, ganha cada vez maior relevância.

Os novos chillers TCX13-110AG da Atlas Copco utilizam o gás refrigerante R32...
Os novos chillers TCX13-110AG da Atlas Copco utilizam o gás refrigerante R32, que apresenta um Potencial de Aquecimento Global (GWP) inferior ao dos refrigerantes da geração anterior.

Escolha da solução depende do processo

Não existe, contudo, uma solução universal para todas as aplicações.

A escolha do sistema de refrigeração depende de múltiplos fatores:

  • tipo de transformação;
  • carga térmica;
  • condições ambientais;
  • consumo energético;
  • disponibilidade hídrica;
  • espaço disponível;
  • requisitos de qualidade;
  • possibilidade de expansão futura.

Na injeção de alta precisão, por exemplo, o foco recai sobretudo sobre estabilidade térmica e repetibilidade. Já na extrusão contínua, a prioridade pode passar por elevada capacidade de dissipação térmica e robustez operacional.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por soluções modulares e escaláveis, capazes de acompanhar futuras expansões industriais sem necessidade de substituição integral da infraestrutura.

A refrigeração já não é um sistema secundário

Historicamente, muitos transformadores encaravam os sistemas de refrigeração como utilidades secundárias. Hoje, essa perceção está a mudar rapidamente.

O aumento dos custos energéticos, as exigências ambientais e a pressão por maior eficiência produtiva estão a transformar a refrigeração num elemento estratégico da competitividade industrial.

Mais do que remover calor, os sistemas modernos passaram a desempenhar um papel central na estabilidade do processo, na qualidade do produto e na sustentabilidade das operações.

A evolução tecnológica aponta para soluções cada vez mais integradas, inteligentes e energeticamente eficientes — um movimento que deverá acelerar à medida que a indústria dos plásticos procura conciliar produtividade, circularidade e redução da pegada ambiental.

Fontes

“Adiabatic Coolers: An Evolution in Sustainable Process Cooling”, Frigel North America

“Processing Cooling for Plastic: 5 Manufacturing Problems Solved”, Atlas Copco

“The role of advanced process cooling systems”, Atlas Copco Compressors UK

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