A Moldes RP, em conjunto com o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), a Deifil Technology e a Aromáticas Vivas, está a desenvolver o projeto AlgaeTech, uma iniciativa cofinanciada pelo Compete 2030 que aposta na criação de biopolímeros a partir de recursos marinhos para desenvolver soluções biodegradáveis destinadas à agricultura, embalagens e bens de consumo.
A operação aposta no desenvolvimento de biopolímeros derivados de algas e resíduos de bivalves para criar soluções biodegradáveis e reutilizáveis destinadas, sobretudo, às áreas da embalagem alimentar, agricultura, horticultura e bens de consumo. Entre os produtos em desenvolvimento encontram-se vasos biodegradáveis e bioativos para plantas e copos reutilizáveis para bebidas.
Os vasos estão a ser concebidos para aplicações ligadas a plantas de elevado valor acrescentado e ervas aromáticas, incorporando características como durabilidade ao longo do ciclo de cultura, retenção de água e capacidade de perfuração pelas raízes. O projeto prevê ainda o desenvolvimento de duas tipologias distintas: uma destinada ao crescimento de plantas germinadas in vitro e posterior colocação em solo pelo utilizador final, e outra orientada para germinação e crescimento através de sistema semi-hidropónico.
Paralelamente, o consórcio está a desenvolver compósitos biodegradáveis à base de macroalgas reforçadas com conchas de bivalves trituradas, com o objetivo de produzir copos reutilizáveis seguros para contacto alimentar. Entre as aplicações previstas encontra-se a produção de copos de gin com geometrias complexas.
No caso dos vasos biodegradáveis, o projeto recorre à moldação por compressão, uma técnica que exige o desenvolvimento e teste de novos processos devido às características específicas dos biopolímeros com elevada incorporação de macroalgas. Segundo os promotores, a conjugação das propriedades das algas com técnicas avançadas de processamento representa um dos principais desafios tecnológicos da operação.
Já para os copos reutilizáveis, será estudado e adaptado um processo que combina injeção e insuflação, anteriormente desenvolvido pela Moldes RP no âmbito do projeto 2M-BLOW. Esse processo deu origem à patente internacional WO 2014/185807 e será agora ajustado às propriedades dos novos compósitos marinhos.
O AlgaeTech procura também valorizar algas invasoras e resíduos marinhos, promovendo modelos produtivos mais circulares e alinhados com os princípios da bioeconomia azul e da economia verde. Segundo os promotores, o projeto pretende demonstrar o potencial dos biopolímeros marinhos na substituição de materiais convencionais, contribuindo para práticas industriais mais sustentáveis.
Cofinanciado pelo Compete 2030, o projeto representa um investimento total de 1 526 956,96 euros, correspondendo a um apoio financeiro da União Europeia de 1 177 016,08 euros, equivalente a uma taxa de cofinanciamento de 77%.
Segundo o consórcio, o projeto pretende reforçar a competitividade nacional na área dos materiais sustentáveis e demonstrar o impacto da colaboração entre indústria e sistema científico no desenvolvimento de soluções inovadoras com aplicação industrial.
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