Uma investigação liderada pela University of Plymouth concluiu que os resíduos plásticos associados a alimentos e bebidas são os mais comuns nas zonas costeiras em todo o mundo. O estudo, divulgado a 20 de maio, avaliou mais de cinco mil recolhas de lixo em praias de 112 países e concluiu que embalagens alimentares, tampas e garrafas de plástico estão entre os resíduos mais frequentes em mais de metade dos países analisadas.
Para realizar a análise, os investigadores reuniram e avaliaram mais de cinco mil levantamentos de lixo recolhido em praias, produzindo aquele que é descrito como o primeiro panorama global de resíduos marinhos por tipo de utilização.
Os resultados mostram que os plásticos ligados ao consumo de alimentos e bebidas figuram entre os três tipos de resíduos mais abundantes em 93% dos países analisados, incluindo o Reino Unido e as cinco nações mais populosas do mundo: Índia, China, Estados Unidos, Indonésia e Paquistão.
Entre os resíduos mais encontrados destacam-se embalagens alimentares de plástico, tampas e garrafas plásticas, identificados entre os itens mais frequentes em mais de metade dos países abrangidos pelo estudo. A seguir surgem os sacos de plástico e as beatas de cigarros.
Segundo os investigadores, estima-se que cerca de 20 milhões de toneladas de resíduos plásticos entrem no ambiente todos os anos.
O estudo foi assinado por Richard Thompson, fundador e responsável da International Marine Litter Research Unit da universidade britânica, e por Max Kelly, além de académicos da Indonésia e do Reino Unido.
Os autores defendem que a gestão de resíduos, por si só, não é suficiente para resolver o problema da poluição plástica, considerando necessárias medidas urgentes para reduzir a quantidade de plástico produzida. Entre as soluções apontadas estão a produção apenas de plásticos considerados essenciais para a sociedade.
Citado pela universidade, Richard Thompson afirma que a investigação identifica, pela primeira vez, as categorias de resíduos mais abundantes à escala nacional, regional e global, permitindo definir prioridades de intervenção e os tipos específicos de produtos que devem estar no centro das ações para combater a poluição plástica.
O investigador acrescenta que os resultados fornecem evidências relevantes para orientar decisões da indústria e das políticas públicas, indicando que os plásticos ligados a alimentos e bebidas constituem uma prioridade de atuação em 93% dos países analisados.
Também citado no comunicado, Max Kelly refere que a compilação de uma base de dados harmonizada desta dimensão representou um trabalho desenvolvido ao longo de vários anos, permitindo mapear os resíduos mais abundantes nas zonas costeiras globais “como nunca antes”.
A investigação foi realizada no âmbito do projeto PISCES, financiado pelo Natural Environment Research Council, com um orçamento de 3,8 milhões de libras e coordenação da Brunel University of London.
De acordo com Susan Jobling, os resultados demonstram que a poluição plástica não pode ser resolvida apenas através da gestão de resíduos. A responsável defende soluções “a montante”, centradas na redução, reutilização, melhoria do design das embalagens e reforço das políticas públicas, de forma a prevenir a poluição na origem.
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