“Sem embalagem não há segurança alimentar.” A mensagem foi deixada pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), na conferência ‘O Valor Acrescentado da Embalagem Alimentar’, integrada na LogiPack - Feira Internacional de Logística e Embalagem, no Centro de Congressos de Lisboa. Em debate esteve uma embalagem que já não serve apenas para proteger e conservar os alimentos: pesa também na qualidade, na sustentabilidade e na decisão de compra.
“O maior desafio é o conhecimento.” Foi com este alerta que Paula Arês, consultora em qualidade e segurança alimentar, desafiou as universidades. Alertou para “o desconhecimento sobre as embalagens” nas PME, agravado pelas exigências do novo Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR). Algumas empresas, observou, só agora descobrem que as embalagens que usam são multicamada. As faculdades, criticou, têm dado pouca atenção à embalagem nos cursos da área alimentar, quando esse saber é essencial no dia a dia da indústria.
Depois de percorrer as funções da embalagem e os pontos fortes e fracos do vidro, do plástico, do metal e do papel e cartão, Paula Arês defendeu também a necessidade de acelerar a investigação. Em Portugal, já há estudos sobre revestimentos e embalagens comestíveis. Existem também soluções biodegradáveis e rótulos inteligentes que ajudam a reduzir resíduos e desperdício alimentar.
No debate, moderado por Délio Raimundo, da Campotec, Fátima Poças admitiu que conciliar sustentabilidade e segurança alimentar “não é fácil”. A docente e investigadora na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa questionou o “deslumbramento pelo biodegradável” das gerações mais novas. “Pergunto porque é que uma embalagem para alimentos tem de ser biodegradável. É uma enorme falta de sustentabilidade usar a embalagem apenas uma vez”, afirmou. Defendeu mais reutilização, com segurança, e mais educação para a reciclagem. A investigadora lembrou que a reciclagem para contacto alimentar está bem regulada no PET, mas é difícil de transpor para outros materiais. Avisou também que “biológico” não é sinónimo de seguro. E deixou um paradoxo: Portugal exporta vinho e, com ele, o vidro, ficando sem casco para reciclar.
Ana Marta Ramos, da área regulamentar de embalagem da Mondelez International, lembrou que o consumidor decide sobretudo na loja e é cada vez mais cético quanto aos materiais. “Não há materiais bons ou maus, há materiais que se adequam a uns alimentos e outros que são melhores para outros”, sublinhou. Admitiu um fosso entre intenção e ação: o preço e a conveniência ainda pesam mais, e a sustentabilidade não faz vender mais. “Cabe-nos a nós, indústria, ser o motor desta mudança de mentalidade”, defendeu.
Para Ana Salvaterra, responsável pelo laboratório de química do Centro Nacional de Embalagem, “não existe a embalagem perfeita”. A responsável avisou que os novos materiais biodegradáveis avançam mais depressa do que a lei e que muitos precisam de aditivos. Defendeu a aposta na reciclagem, mas com cautela na reciclagem química. Criticou também a perda de informação nas cadeias com intermediários: “Ainda há muito desconhecimento”.
Paula Arês defendeu um desenvolvimento de embalagens planeado por etapas e com equipas multidisciplinares. Lembrou ainda que as preferências do consumidor nem sempre protegem o produto. Durante anos, contou, defendeu a utilização de garrafas escuras para proteger o azeite da luz, mas os consumidores preferiam as embalagens transparentes, pois queriam ver a cor do azeite.
No encerramento, os oradores foram unânimes: a embalagem não pode ser encarada como um custo, mas como um investimento.
Ana Marta Ramos destacou o seu papel como veículo de comunicação entre marcas e consumidores. Paula Arês sublinhou a importância de adequar a embalagem ao uso.
www.interplast.pt
InterPLAST - Informação profissional para a indústria de plásticos portuguesa